goza, dá, minha cara…
goza, dá na Minha Cara!
goza! na minha cara!
…gozada na minha cara.
goza na minha, cara!
gostosa.
goza, dá, minha cara…
goza, dá na Minha Cara!
goza! na minha cara!
…gozada na minha cara.
goza na minha, cara!
gostosa.
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parti. reparti-me de novo. essas idas sempre exigem esse retorno a célula, essa condição em que se é completo e se é dois, agora três. já faz mais de um ano que eu vivo aqui, nessa cidade de são paulo. aqui mais do que em qualquer lugar me encontro, diariamente, abafando os gritos da adolescência e deixando brotar a película que me protegerá do mundo. aprendi que minhas bolas são minhas e não posso transferir a coragem aos outros. cansei dessa minha postura de quem não tinha medo. agora eu tenho, e assumo, e corro os riscos. tenho certeza que não se trata de artefato exclusivo da cidade, fui eu quem entrou nesse mundo dos “adultos” pelas portas daqui, poderia ter passado por ela em qualquer lugar. entrei e descobri o que já imaginava, adultos não existem. sim. fui enganada uma vida inteira, projetando a ética e a responsabilidade nos mais velhos que eu. ilusão jovem… a ganância realmente impera, o buraco é mais embaixo… racismo, homofobia, preconceito de gênero…são exemplos que hiperbolizam todas as pequenas injustiças que aos poucos cada um na sua hipocrisia vital aprende a auto justificar em nome da sua viagem de esqui em aspen. mundo mundo vasto mundo, no meio do caminho tinha uma pedra e eu caí. dei de boca na areia, perdi os dentes e voltei a infância, desesperada tentativa de renunciar a tudo isso. preciso ser forte. minhas bolas estão comigo, são dois pares de seios pequenos que fazem o meu peito mais inflado, redobram a minha coragem. prepare-se, mundo. eu não vou desistir.
Encontrei esse texto aqui no meio duns papeis. Data de “julho 2004″, eu tinha então 16 anos. é isso?
bom resolvi reproduzi-lo aqui tal como está. algumas pessoas me perguntam porque adotei o Só e eu nunca sei bem como responder. talvez responda. talvez não.
“Eis que sinto: em breve nos separaremos. Minha verdade espantada é que sempre estive só, de ti, e não sabia. Sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar, grande responsabilidade. Quem não é perdido não conhece a solidão, não a ama. Quanto a mim, assumo. Às vezes extasia diante de fogos de artifício que só eu enxergo. Sou só e vivo uma glória íntima que na solidão se tranforma. Dor. Silêncio. Guardo teu nome em segredo. Preciso de segredos e silêncios pra sobreviver.”
Luiza Só
julho 2004
vulgares. correspondidos. solitários. eternos. enfim
tenho me sentido tão tranquila nessa questão que nem vale a pena escrever.
faça uma música para Lobão cantar.
“já não minteressa serrr sua cara metadiiiãã
não subestime a razáááum de quem vomitou, um dia, seu córaçááo”
já fiz meu refrão
bjs
kkk lobão me mata
aqueles que não sabem lidar com gatos, definitivamente não tem condições de adentrar intimamente na natureza humana. e aqueles que sabem lidar com gatos, perdem o interesse nisso.
um raio de sol timidamente entrou pela janela. sua luz tornou visível uma trêmula linha. lá, onde supõe-se o horizonte.
Sinto falta dos dias em que parecia simples se comunicar, quando o sol era constante e os dias longos, as crianças me comoviam de ternura e as promessas de fidelidade. Falta do crédito inquestionável aos laços e dos degraus que indicavam subidas eternas.
Babel era logo ali, e você sem sabia.
Sinto falta da infância não fragmentada, da certeza do amor que se tinha pra dar. Falta da falta de noção do frio do concreto, falta dos dentes que se foram com o soco da realidade. Sinto tanto quanto sentia, sinto mais, mas sinto menos do que queria.
E já não me basta tanta nostalgia, misto de desejo de reviver e negação de tanta ingenuidade. Basta de tantas noites insônes de tristeza, de solidão por outros serem covardes. Me entrego agora mais do que jamais poderia, quando pensava que a vida era poesia, quando não enxergava a maldade. Me entrego com mais afinco agora, com mais noção da mortandade, entrego à vida meus próximos suspiros, e todos, e tudo. Me entrego à realidade, dura, fria, inescrupulosa. A transe da dor de se encravar de espinhos, se equipara à saciedade da rosa.
acho que é assim. você olha ao redor um belo dia e descobre que está depressivo há muito tempo. é como encontrar uma berruga bem no meio do cara, que você foi maquiando e convencendo a si mesmo e pensando que convencia os outros que era só uma espinha. não era, e veja só, agora tem pelos que saem bem do meio dela. então pega uma lupa e vai pra frente do espelho, e descobre que é mesmo o que parece, uma saliência na pele formada por uma massa nojenta e repulsiva. o médico diz que a cirurgia de remoção é simples, mas, como ser você depois disso? tudo mudou. então você vê que há outros, e muitos, muitos outros com berrugas enormes maiores e menores que a sua. e eles também sofrem. então você a remove, e pensa que o problema estava solucionado.um outro belo dia você acorda e não, ela não está mais lá, mas ela está dentro de você, a berruga ou o que fora ela, um buraco vazio imenso, uma brotoeja canibal de si mesmo que foi consumindo seus órgãos um a um e agora você é um grande corpo oco, inundado de uma dor vazia tão invisível e tão sólida.