Novembro 15, 2009 por Luiza Só
Encontrei esse texto aqui no meio duns papeis. Data de “julho 2004″, eu tinha então 16 anos. é isso?
bom resolvi reproduzi-lo aqui tal como está. algumas pessoas me perguntam porque adotei o Só e eu nunca sei bem como responder. talvez responda. talvez não.
“Eis que sinto: em breve nos separaremos. Minha verdade espantada é que sempre estive só, de ti, e não sabia. Sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar, grande responsabilidade. Quem não é perdido não conhece a solidão, não a ama. Quanto a mim, assumo. Às vezes extasia diante de fogos de artifício que só eu enxergo. Sou só e vivo uma glória íntima que na solidão se tranforma. Dor. Silêncio. Guardo teu nome em segredo. Preciso de segredos e silêncios pra sobreviver.”
Luiza Só
julho 2004
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Novembro 13, 2009 por Luiza Só
vulgares. correspondidos. solitários. eternos. enfim
tenho me sentido tão tranquila nessa questão que nem vale a pena escrever.
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Novembro 4, 2009 por Luiza Só
e isso não é uma clara alusão a qualquer droga aspirável e inspirável.
pode até ser, mas não é disso que estou falando. o fato é que dependo, independente da procedência.
hoje me inspirei com a bailarina. saímos caminhando em direção ao mercado, compartilhamos algum momento de identificação. identificação que se dá não pelo igual, necessariamente, mas que se dá no sentir.
lembrei da minha paixão por cores e cheiros. lembrei como o dylan é um excelente companheiro. lembrei que consigo rir, rir muito, sorrir e fazer sorrir.
segui meu caminho, eu e o dylan, embottonado no meu peito, estridente nos fones. sorri sozinha pelas minhas conquistas, sorri porque vou sentir mais uma decolagem que me arranca um sorriso gigante e arrebatador, porque vou abraçar alguns amores e caminhar por ruas distantes que me dão uma sensação de casa, ainda não sei porque.
e dependente como sou, de estímulos e inspirações, internalizei o brilho da menina que caminhou comigo um caminho de conversa doce, que sorri com toda ternura e honestidade, e roubei sua beleza. guardei pra mim essa inspiração. mais uma lembrança, mais uma boa memória, pra quando precisar de sorrisos. um dia bom, enfim.
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Outubro 21, 2009 por Luiza Só
faça uma música para Lobão cantar.
“já não minteressa serrr sua cara metadiiiãã
não subestime a razáááum de quem vomitou, um dia, seu córaçááo”
já fiz meu refrão
bjs
kkk lobão me mata
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Setembro 21, 2009 por Luiza Só
aqueles que não sabem lidar com gatos, definitivamente não tem condições de adentrar intimamente na natureza humana. e aqueles que sabem lidar com gatos, perdem o interesse nisso.
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Setembro 20, 2009 por Luiza Só
um raio de sol timidamente entrou pela janela. sua luz tornou visível uma trêmula linha. lá, onde supõe-se o horizonte.
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Setembro 19, 2009 por Luiza Só
ontem o sol tímido resolveu manter-se praticamente o dia inteiro, depois de semanas de dilúvio aqui na província alegre. tal acontecimento me despertou uma ânsia de viver o dia e trocar a aula de economia sexta a noite por um convite relâmpago pra ir num coquetel -seguido de show e filme-, mas no momento do convite me ative mais no coquetel. cheguei lá, encontrei uns conhecidos, uns amigos, beberiquei, comi uns salgadinhos até a hora de entrar na PF Gastal (tudo isso ali no gasômetro).
primeiramente a banda se apresentou, não lembro o nome, mas eles tocaram lou reed e dylan e outras cosas mas bem boas, depois veio o filme, que por ser película gerou bastante espectativa visto que deu pau no projetor duas vezes antes de começar. o clima ficou tenso, mas o excelente diretor, zeca brito, deu conta de deixar todo mundo tranquilo com sacadas irreverentes.
eu nem sabia sobre o que se tratava o filme, só sabia o nome “aos pés”, que me lembrou a expressão dos médicos pras ações escatológicas de evacuação.
nada disso.
aos pés é um lindo curta todo filmado no ângulo dos pés. pés, paisagens e diálogos. me arrebatou do início ao fim, e no final saí leve e feliz da sala. uma experiência que eu nem imaginava que iria ter, esperando um filme qualquer, recebi arte em primeira mão.
valeu muito. e como diz a taís, ai de quem diga que não acontece “nada” em porto alegre.
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Setembro 17, 2009 por Luiza Só
Sinto falta dos dias em que parecia simples se comunicar, quando o sol era constante e os dias longos, as crianças me comoviam de ternura e as promessas de fidelidade. Falta do crédito inquestionável aos laços e dos degraus que indicavam subidas eternas.
Babel era logo ali, e você sem sabia.
Sinto falta da infância não fragmentada, da certeza do amor que se tinha pra dar. Falta da falta de noção do frio do concreto, falta dos dentes que se foram com o soco da realidade. Sinto tanto quanto sentia, sinto mais, mas sinto menos do que queria.
E já não me basta tanta nostalgia, misto de desejo de reviver e negação de tanta ingenuidade. Basta de tantas noites insônes de tristeza, de solidão por outros serem covardes. Me entrego agora mais do que jamais poderia, quando pensava que a vida era poesia, quando não enxergava a maldade. Me entrego com mais afinco agora, com mais noção da mortandade, entrego à vida meus próximos suspiros, e todos, e tudo. Me entrego à realidade, dura, fria, inescrupulosa. A transe da dor de se encravar de espinhos, se equipara à saciedade da rosa.
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Setembro 14, 2009 por Luiza Só
acho que é assim. você olha ao redor um belo dia e descobre que está depressivo há muito tempo. é como encontrar uma berruga bem no meio do cara, que você foi maquiando e convencendo a si mesmo e pensando que convencia os outros que era só uma espinha. não era, e veja só, agora tem pelos que saem bem do meio dela. então pega uma lupa e vai pra frente do espelho, e descobre que é mesmo o que parece, uma saliência na pele formada por uma massa nojenta e repulsiva. o médico diz que a cirurgia de remoção é simples, mas, como ser você depois disso? tudo mudou. então você vê que há outros, e muitos, muitos outros com berrugas enormes maiores e menores que a sua. e eles também sofrem. então você a remove, e pensa que o problema estava solucionado.um outro belo dia você acorda e não, ela não está mais lá, mas ela está dentro de você, a berruga ou o que fora ela, um buraco vazio imenso, uma brotoeja canibal de si mesmo que foi consumindo seus órgãos um a um e agora você é um grande corpo oco, inundado de uma dor vazia tão invisível e tão sólida.
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Maio 31, 2009 por Luiza Só
tenho que ver um filme pra faculdade e achei a descrição da capa do dvd digna de comentário. diz: “MERA COINCIDÊNCIA – uma comédia sobre verdade, justiça e muitos outros efeitos especiais”.
estou impressionada com a capacidade de sintetização da vida como ela é em tão poucas palavras: verdade, justiça e muitos outros efeitos especiais.
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